Duas semanas de férias

Nas duas últimas semanas eu tirei umas “férias” das minhas atividades rotineiras. Não fiz croquis e não me planejei pra publicar nada por aqui. Estive aproveitando as férias escolares e a presença em casa do meu irmão mais novo (que é professor), pra jogar bastante na companhia dele, algo que tava me fazendo muita falta. Eu gosto de jogar sozinha, mas não o tempo todo. Cresci dividindo o videogame com meus dois irmãos, então pra mim é mais natural e agradável ter alguém jogando comigo.

Foi uma pausa muito necessária e gostosa! Jogamos muito Vagante, finalmente demos atenção e zeramos o Resident Evil Revelations e chegamos a começar a jogar o Resident Evil Revelations 2, mas esse acabou perdendo espaço pro Vagante mesmo, que é mais divertido!

O engraçado disso tudo na verdade é perceber que quando você tá acostumado a desenhar todo dia, mesmo que esteja fazendo um esforço pra se desligar da coisa, ela volta pra te “assombrar”, no meu caso, em forma de passatempo. Mesmo que 90% do que eu desenhe hoje em dia seja digital, sempre tem papel de rascunho e caneta na minha mesa. E em alguns desses dias, acabei usando bastante eles pra me divertir enquanto fazia outras coisas, tipo bater papo online com minhas amigas e escutar música ou podcast. Deixo aí embaixo os desenhos que rolaram nesses dias.

Às vezes, tento a criar vários personagens pensando em um mesmo universo. Aqui são personagens ambientados no Velho Oeste.

Nos primeiros desenhos que fiz explorei só a caneta Bic Preta de ponta fina, rascunhando bem leve as formas básicas dos personagens e trabalhando os detalhes por cima com o mesmo material, variando intensidade e tipos de traços pra criar diferentes texturas.

Nos demais estudos, apliquei o uso de duas canetas: a Paper Mate Kilométrica de cor laranja pros rascunhos e tons, e a Tilibra Flow pra finalizar. Essa combinação de laranja com tinta preta é bastante utilizada pelo artista Eduardo Vieira e eu acho super legal. Usar dois tons de caneta diferentes é análogo a usar lápis e tinta, com a diferença que sendo tudo tinta você não vai apagar e pensa mais em como aplicar cada marca ao seu desenho e como incorporá-las ao acabamento. É um desafio bem interessante. Eu gosto muito de desenhar com esferográfica, justamente porque ajuda a construir na gente esse desapego: tá ruim? Parte pro próximo! E quando você percebe tem um volume grande de coisas feitas em bem pouco tempo. 🙂

Aqui personagens de fantasia.
E mais personagens de fantasia. 🙂

Enfim, foi bom enquanto durou, mas agora acabaram-se minhas férias. Já voltei com a programação normal essa semana. Retomar atividades depois de uma pausa é sempre difícil. Eu me sinto um pouco enferrujada pros croquis e indisposta pra todo o resto, mas realmente senti que estava precisando dar uma paradinha, porque o ritmo tava meio frenético. A gente deve ficar muito atento a esses sinais pra não pirar de vez, pessoal. Não pensem que precisam estar o tempo inteiro debruçado no papel, de verdade. Quando sentirem necessidade, parem um pouco e respirem outros ares. Isso faz bem até pra renovar a produção mesmo! 🙂

Bom, hoje fico por aqui, até semana que vem, com conteúdo novo!

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Contando Histórias com os Desenhos

Quem já acompanha meus desenhos há alguns anos provavelmente já percebeu que eu tenho uma tendência forte em criar e desenhar personagens sempre em poses muito retas e simples. Embora eu tente fazer meus personagens terem personalidade, seja através de expressões ou vestimentas, esse é um aspecto do meu desenho que sinto que ainda precisa muito ser polido, principalmente pra ilustração. Então ultimamente tenho tentado, ao invés de só criar ou desenhar o personagem, contextualizar ele em alguma situação.

O último exercício desse que fiz saiu a duras penas, porque foi durante o mês que tive os problemas de saúde recentes. Mas ainda assim foi um exercício muito legal. Num dos dias que eu estava de cama, peguei um papel qualquer, caneta esferográfica e, enquanto passava o olho em jogos da Copa do Mundo fui rabiscando esses personagens.

Papel ruim e esferográfica são meu par favorito pra soltar a imaginação!

Foi um rascunho bem livre, eu fiz primeiro a estrutura do personagem humano, depois decidi por uma galinha estressada na mão dele. Ao fazer a expressão dele como se estivesse meio “sem graça”, achei que seria legal adicionar galinhas com personalidades diferentes, aí fiz uma que parece meio maluquinha, outra bem orgulhosa e uma empolgadaça. Eu olhava as galinhas rabiscadas e me divertia, mas sentia que faltava mais pro desenho contar uma história. Daí fui pro computador com meus rascunhos iniciais como referência e tentei desenvolver algo novo.

Eu só consegui trabalhar com duas possibilidades nessa ocasião, por causa da recuperação.

O que saiu foi essa ilustração, que eu chamei de “Cinco Galinhas Tontas”. Foi um dos desenhos que eu mais me diverti fazendo recentemente, porque enquanto desenhava, meu olhar passeava por toda a ação e interação do desenho. O cara, agora não tá mais só em pé segurando a galinha com cara de “sem graça”. Ele tá perdido sem saber o que fazer da vida, com uma galinha estressada na mão, outra orgulhosa ao lado dele, uma empolgadaça pulando pra cima da orgulhosa e ainda a maluquinha, que tá pouco se lixando pra tudo que tá acontecendo, entretida com uma minhoca. A meu ver, em comparação ao desenho inicial, esse tem muito mais coisa acontecendo e é bem mais interessante, eheheh.

Produto final com a técnica de lápis digital. Gostei bastante dos personagens e dos valores, mas ainda há muito que melhorar 🙂

Quanto à técnica empregada, fui muito inspirada pelo artista Marcel Gröber, que faz ilustrações lindíssimas finalizadas com lápis digital. Recomendo muito checarem o trabalho dele. Me falta muito ainda pra fazer algo do nível do trabalho dele, mas fiquei bastante satisfeita com o resultado pra primeira experiência!

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Daily drawing 2/104: " I was walking through the fields, lost in thought as so many times before. Life has not been good to me for a long time. The things that happened. Things I did not say or do out of fear, sorrow… pain. Well, something happened that day I don't quite remember. I felt weak and tired. Too tired to keep going. I broke down in tears and just wanted to quit, let it end here and now. Thats when I saw it. Out of the fog stepped this warrior riddled with wounds. It stood their for a moment, leaning on its sword. Seemed to catch it's breath. It looked up to me and despite the helmet, I felt its gaze piercing my very soul. It gave me a long nod… and I understood. I knew in my heart that no matter what, I can keep going. A moment later, the mirage vanished". The wounded knight is a spirit that walks the world. No one really knows why or where it is going. It looks grievously wounded by a battle long past but it keeps walking. The spirit only shows itself to those broken by life, about to give in. It urges the kindred soul to go on. A symbol of endurance in the face of unimaginable suffering. #daily #drawing #illustration #dailydrawing #digital #digitaldrawing #digitalpencil #fantasy #art #artist #creative #creator #knight #warrior #fairytale #tale #legend #storytelling #photoshopart #photoshopcc #grayscale #instaart #artist

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Esses processos de desenvolvimento do desenho são bem legais e amadurecem em mim essa noção de que a gente nem sempre deve ficar satisfeito com o primeiro desenho, ou que nem sempre tudo vai se resolver no primeiro desenho. Com um pouco de dedicação e paciência a gente sempre pode desenvolver um conceito inicial a um patamar maior, por isso é importante insistir um pouco.

Outra coisa que me vem muito forte é que, nem sempre a gente precisa estar extremamente inspirado pra produzir coisas legais! A disciplina e a consistência (as quais já falamos antes, hehehe) fazem também um papel importante pra gente manter as engrenagens funcionando. Desenhar mesmo sem ter aquele insight também rende frutos. E ainda, ressalta a importância de se rascunhar descompromissadamente e manter registro dos seus rascunhos, sejam eles em pastas ou sketchbooks. Você nunca sabe quando um rabisco qualquer pode virar uma ideia interessante!

E aí, você tem usado seus rabiscos de forma inteligente? 🙂 Conta pra gente nos comentários!

Nos vemos na semana que vem, até lá!

Inktober 2014 e MDC

Outubro é Inktober aqui em casa! E, como vocês já sabem, isso significa um desenho a tinta por dia durante o mês de outubro. Ou deveria ser, se outubro não tivesse sido um mês devastador!

Muita coisa aconteceu na disciplina que eu estou cursando na faculdade (design de tipografia digital), prazos apertados no trabalho, reposição de horas que eu devia, mais e mais dor de cabeça. Foi tipo uma tsunami!

Eu já vinha me preparando desde setembro, fazendo preliminares com a esferográfica e desenhando mais ratos, pois tinha intenção de retomar os designs de personagem de Rodentia nesse ano.

“Aquecendo pro Inktober 2014” – levantamento de pincel! XD
No dia primeiro fiz um lettering, marcando o início dos jogos. 🙂

Mas entre um desenho de Rodentia e outro, acabei intercalando personagens variados para ter mais objetos de estudos, e também tentei me dedicar a postar uma composição mais elaborada nos finais de semana. Essas composições são a de Megaman X, a sereia no fundo do mar e o Harry Potter com seu patrono, que é inclusive o meu escolhido pro MDC desse mês, com tema Inktober também!


Pra ver melhor resolução, acesse meu Instagram!

Na última semana do mês eu tive um mega bloqueio criativo, sem vontade e inspiração pra desenhar ratos ou personagens, mas decidi fazer uns estudos de desenho com perspectiva isométrica. O ápice do bloqueio aconteceu no meu penúltimo desenho, quando fiz um estudo de lettering retratando isso. XD

Mais claro impossível… ¬¬”

No último dia senti que precisava amarrar a brincadeira de alguma forma, fazendo um desenho de despedida. Aproveitei então a oportunidade e casei o fim do evento com o Dia das Bruxas, desenhando esse rapaz sem cabeça dando um “até breve” pra todo mundo.

Halloween e Até Breve, Inktobers! 🙂

O que dizer? Foi irado! Eu só lamento não ter conseguido elaborar a história de Rodentia ao longo do ano pra poder ter mais objetos de estudo. De qualquer forma, acho que já amadureci um pouco mais o projeto e estou com algumas ideias mais concretas do que seja possível escrever. Quem sabe no ano que vem não publico uma série de ilustrações, como o Sr. Jake Parker?! Sonhar não custa nada! Hehehe!

Pra você que não entendeu patavinas do que eu falei sobre esse projeto de ratos, basta acessar a tag Rodentia no Caixola pra descobrir! 🙂

Espero que vocês tenham curtido a produção, e aproveitando a oportunidade reforço também o link pra minha conta do Instagram, assim vocês podem ver os desenhos dos mosaicos nesse post com maior resolução.

É isso aí, até a próxima postagem e que venha Inktober 2015!

Canetas esferográficas

Já faz um tempo que não tenho andado mais com meu sketchbook. Reparei que ficava carregando peso a toa (meu caderno e o estojo deixam a mochila muito mais pesada) e não desenhava nada, porque nunca tinha momento propício pra isso. Só que não ter nada pra rabiscar me faz sentir como se eu tivesse deixado em casa algo muito importante, sabe? Num dia desses, durante a aula, me veio de repente uma solução pra esse problema: caneta esferográfica!

Isso era pra ser a minha anotação pra aula de design de tipos…

É um material barato, que está sempre à mão e com o qual se pode obter vários efeitos! Eu já tinha prática de fazer estudos com caneta em épocas de outros estágios, quando eu só tinha a caneta e um pedaço de papel pela minha frente, mas com o tempo fui deixando um pouco de lado em prol de outros materiais.

Então, pra não ficar andando sem material de desenho, tive a ideia de fazer outro sketchbook A6 (igual aquele do carnaval) com folhas de baixo custo (como as da Off Paper) pra carregar por aí e fazer estudos com caneta. Leve, simples e prático! E eu estava bem com essa ideia, esperando ter tempo pra executá-la, até aparecer a Débora e me encantar com os estudos que andou fazendo à caneta. Sim, fiquei com “invejinha”, e resolvi fazer meus estudos também!

Na segunda-feira, na hora de “estudar” (entendam, desenhar) catei o primeiro papel que tinha na minha mesa e a minha caneta BIC Ponta Fina e comecei a fazer uns desenhos de observação. O rato, fiz com o intuito de aprimorar minha compreensão da espécie pra um possível retorno do meu projeto pessoal, Rodentia. Quem sabe com o Inktober chegando e tal…

Depois, passei pra uma edificação, outra coisa que tenho muita dificuldade de desenhar.

Ontem, depois de assistir um episódio de Hora de Aventura, me deu na veneta de tentar reproduzir a imagem de abertura do desenho.

Depois, cacei lagartos na internet pra desenhar, uma tentativa de melhorar minha compreensão de lagartos em geral pra, quem sabe, dar mais vida ao rascunho que comecei na anotação da aula.

Hoje, já bastante empolgada, passei na papelaria e adquiri uma caneta Compactor Ponta Fina e uma Compactor Microline 0.4, essa última pra ajudar a preencher uns espaços pretos, coisa que a esferográfica demora muito pra fazer. Aí fiz outro desenho de lagarto. Ele era laranja, então tentei usar papel colorido pra simular a pele. Usei preto no desenho e sombreamento (canetas) e branco (lápis dermatográfico e caneta gel) pra dar outros tons no papel.

Agora mais no fim da tarde, dei uma olhadinha em armaduras medievais, e fiz esse desenho de um elmo com as canetas pretas, usando gel branco também pra destacar uns pontos de luz.

E esses são os estudos que fiz, super entusiasmada, nos últimos dias! Aí vocês podem estar se perguntando: “mas pra que diabos isso tudo, Joyce, com tanto material bacana que você tem…”. Bom, além da questão do peso, que já falei lá em cima, tem outro ponto que ainda não mencionei. Eu sou do tipo de pessoa que quando não está satisfeita com um desenho, desiste a ponto de apagar a folha toda. Isso não é legal.

Eu quero me forçar a pensar mais sobre minhas linhas, sobre onde colocar as coisas pra obter o efeito que eu desejo e representar o que pretendo. Por isso a esferográfica é ótima, porque é uma mídia que dá pra rascunhar leve e finalizar por cima. Outra coisa importante é saber representar mais com menos. Mais texturas, mais efeitos, tudo com um só material, ou com menos materiais. Acho que isso vai ser um ótimo desafio, e espero conseguir tirar um bom proveito desses estudos.

Uma coisa que eu não quero, de jeito nenhum, é pretender à um hiper realismo. Primeiro porque meu traço não é assim e quando faço desenhos de observação é porque são uma importante fonte para aumentar o repertório visual. Não quero ficar fazendo retratos fiéis de coisas e pessoas, nem trabalhar a caneta com uma técnica tão limpa que faz parecer até lápis. Já tem muita gente boa fazendo isso por aí. 🙂

Bom, é isso. Débora, desculpa por te copiar e obrigada por me inspirar!

Espero que tenham gostado, e eu espero continuar empolgada com meus estudos. Até a próxima!