Ainda em pausa

Oi, pessoal! Passando aqui pra deixar um aviso pra todos que estejam visitando periodicamente procurando por novo conteúdo.

Desde meados de Outubro, minha mãe não tem estado muito bem. Ela lida há muitos anos com depressão, sempre tendo altos e baixos e não está em um bom momento atualmente.

Isso me levou a uma rotina bastante cansativa, ainda durante o Inktober, assumindo tarefas de casa que ela não dá conta de fazer agora, enquanto tocava em paralelo minha participação no evento.

Quando o Inktober terminou, comecei a preparar um conteúdo bem legal sobre ele (algo que pretendo revelar em breve), mas tive que dar uma pausa porque estou envolvida com um freelance de animação pra uma empresa local e ainda dando suporte à minha família.

Sendo bem honesta, desde que terminou o Inktober eu ando muito cansada e sem muito ânimo de desenhar, isso também tem trazido dificuldades pra produzir coisas novas pro blog. Acho que o burnout de fim de ano simplesmente chegou mais cedo por aqui em 2018.

Agradeço a todos que continuam visitando atrás de novos posts. Eu espero que em breve possa revelar pra vocês meu projeto do Inktober e também consiga retomar as publicações no blog com a periodicidade de sempre.

Obrigada por lerem e até breve!

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Pausa pro Inktober

Estamos em outubro, mês que dá espaço na internet ao Inktober. Todo ano no mês que corre o evento, podemos ver as redes sociais se enchendo de desenhos feitos à tinta dos mais variados tipos e é muito legal ver a quantidade de referências diferentes que conhecemos nesse período. Eu amo!

Nos dois últimos anos, estive meio reclusa do evento. Em 2016 pela minha lesão no tendão supraespinhoso do ombro direito (meu braço dominante), e em 2017 por implicância com as redes sociais mesmo. Eu até fiz alguns Inktobers ano passado, mas foi mais um flerte do que um compromisso.

Esse ano decidi fazer uma participação definitiva, como em 2015, a despeito das minhas implicâncias, que continuam fortes. Aliás, estive me preparando com certa antecedência pro evento, da melhor maneira que pude, desde meados de setembro. Tenho expectativas positivas pra conseguir publicar um desenho por dia esse ano e tenho conseguido até aqui. Se você me segue no Instagram ou no Twitter, deve estar vendo meus posts e esforço diários.

Isso, além dos outros desafios que eu enfrento diariamente do lado de cá da tela do computador, são os fatores que têm me deixado um pouco mais afastada do blog nessas últimas semanas.

Eu até tenho post redigido, engatilhado pra publicar, mas não consigo arrumar tempo e energia no meio da rotina pra preparar todo o material e organizar as publicações. Espero que entendam. Quanto ao Inktober, quando acabar vai ter bastante material pra mostrar aqui e também vou contar sobre uma oficina de produção de Histórias em Quadrinhos que fiz entre os meses de setembro e outubro, combinado?

Conto com a paciência de vocês aí, um abraço e até mais ver!

Fanart de Fullmetal Alchemist

Nos últimos finais de semana de agosto meu irmão me convidou para assistirmos Fullmetal Alchemist: Brotherhood, assim… do nada! Cara, fiquei super feliz, porque desde que havia sido adicionado ao catálogo da Netflix coloquei esse título na minha lista e estava só esperando o ânimo chegar pra que eu assistisse. Fui vendo outras séries e nunca chegava a vez dele, até que meu irmão sugeriu e sem pestanejar aceitei, óbvio. Com companhia é muito mais legal!

Pra quem não sabe, Fullmetal Alchemist: Brotherhood (doravante FMA) é uma série de animação japonesa lançada entre os anos 2009 e 2010 e é um remake da série original do início dos anos 2000. A história é sobre os irmãos Edward e Alphonse Elric que estão em busca da pedra Filosofal, com a esperança de restaurar seus corpos que foram perdidos quando eles tentaram usar alquimia para ressuscitar sua mãe.

Até o dia dessa publicação foi verificado que FMA: Brotherhood ainda está disponível na Netflix BR. 🙂 Assistam!

Meu irmão e eu já havíamos assistido a primeira versão dessa animação quando éramos jovens adultos fazendo pré-vestibular. Foi um anime do qual gostamos muito e revê-lo foi pra mim um prazer imenso. Enquanto assistia a todos aqueles personagens ação foi me dando uma vontade enorme de desenhá-los. Mas eu não queria fazer só um desenho deles assim, simples. Como disse em um dos posts recentes, estou tentando melhorar minhas composições de imagem, então estava mirando em algo que tivesse estilo de cartaz de filme, sabem? O problema é que eu já comecei desenhos como esses em outras ocasiões e eles nunca sairam muito bem. Sempre esbarrei em problemas que me desanimaram de terminar.

Só no último ano foram dois que comecei e deixei inacabados, como podem ver abaixo. Mas ao enfrentar previamente o desafio de fazer essas duas, pude perceber que criar uma imagem dessas pode requerer um pouco mais do que simplesmente justapor o desenho de um personagem ao outro. É preciso levar várias coisas em consideração, como, onde você vai cortar o seu personagem, se as linhas não estão se encontrando e gerando tangentes que atrapalhem a legibilidade da imagem, a transição entre um personagem e outro e até a interação deles com o cenário. A distribuição dos elementos na composição também fazem um papel importante pra que não fique muito sobrecarregado de um lado e menos de outro. É muita coisa!

À esquerda uma fanart de SilverHawks, à direita de Cavaleiros do Zodíaco. Na primeira, além de sentir um certo desbalanço na composição, o protagonista (Quick Silver) ficou muito mal resolvido anatomicamente. Na segunda, falta resolver a transição entre os personagens e o cenário.

Uma das coisas que sempre achei sensacionais nesses cartazes de filme, é o uso de grids nas composições. No design gráfico o grid é uma malha geométrica que geralmente guia o posicionamento dos elementos para a construção de imagens e páginas. Por exemplo, você já viu como nos jornais impressos as colunas de texto as imagens, as legendas e os anúncios são todos alinhados, começando e terminando numa mesma linha invisível na vertical? Aquele é o grid do jornal. O negócio é que em uma composição de poster de filme, por exemplo, nós nunca temos como ter certeza até que ponto um grid é intencional ou somente a percepção do observador. Muitas vezes há sim uma intenção, mas boa parte dessas coisas dão margem à múltiplas interpretações, e isso, meus amigos, é lá do campo da semiótica.

Enfim, voltando ao meu desenho, eu sabia quais personagens iria desenhar e que ia usar uma composição na qual esses conceitos do grid fossem aplicadas. Tava sobrando agora descascar o abacaxi! Comecei pelo protagonista. Quem já assistiu FMA deve se lembrar que o Edward Elric faz alquimia juntando as mãos, tipo quem tá rezando, hehe. Eu queria partir minha composição daí e a pose dele iria estar contida na forma de um triângulo. Além disso, pensei em dividir a área da folha mais ou menos no meio no sentido horizontal, com intuito de trabalhar os opostos (bem x mal) em cima e embaixo. Partindo do personagem principal, fui traçando diagonais auxiliares e terços nos pontos de intersecção, a fim de encontrar triângulos de tamanhos variados nos quais eu pudesse encaixar, em ordem de importância, os outros personagens. Eu gostaria que a forma ecoasse de alguma maneira no layout. E assim foram surgindo ao lado do Edward o Alphonse e o Roy Mustang; acima do Alphonse encaixei a Winry, em um tamanho menor, porque ela é um personagem de suporte, e do lado oposto a ela, acima do Roy, a Riza, pelo mesmo motivo. Dominando a parte de cima, distribui os três inimigos principais da primeira temporada, com destaque maior pra Lust, acompanhada do Envy e do Gluttony, um de cada lado.

Passo a passo da construção do meu grid maluco e como inseri os personagens dentro dele.

Com a composição resolvida, o resto foi só diversão: observar melhor as características de cada personagem, aplicar à ilustração e dar acabamento. Nessa parte de acabamento procurei não desviar muito da minha técnica habitual, com lineart, cores chapadas e sombreamento em multiply. O que fiz de diferente aqui foi pensar em como iria integrar, cenários e personagens. Minha inspiração pra essa parte tem muito das imagens de intervalo, nas quais sempre vemos algum personagem que está em destaque durante os episódios. O que chama a atenção nessas imagens é como eles usam um tom aproximado da cor de fundo pra fazer as sombras e uma luz de destaque bem recortada. Essa foi a referência que peguei pro meu acabamento.

Essas imagens nos “intervalos” dos episódios eram um deleite e viraram uma fonte de inspiração no acabamento da minha fanart.

Aproveitei o tom bem escuro de marrom-avermelhado da série e dos inimigos pra que pudesse fazer uma passagem de cores na qual os personagens estivessem surgindo do fundo, jogando um vermelho mais vivo e brilhante por trás dos inimigos remetendo à pedra Filosofal e pra definir essa intenção de ameaça. As sombras são todas com o mesmo tom do fundo em menor opacidade e multiply, e foi trabalhada com um brush de textura pra suavizar as formas em alguns pontos e deixar com uma aparência um pouco menos “anime”. A parte da luz é completamente inspirada nas imagens que mostrei acima. Testei com várias cores e gostei mais do azul, mas acho que também por ser uma cor mais distante do vermelho no círculo cromático (quase oposta), deu um destaque interessante.

Um gif registrando as etapas de colorização dos flats aos detalhes finais. 🙂

O que ficou de lição disso tudo é aquela velha máxima que a gente aprende muito com os erros. Os desenhos que fiz anteriormente e não consegui finalizar pavimentaram o caminho até a experiência com esse. Ele não foi menos difícil por isso, ao contrário. Eu já sabia os desafios que enfrentaria, mas não tinha certeza de nenhuma das soluções pra resolver os problemas. Mesmo assim achei o saldo final bastante positivo. Uma coisa que é digna de menção é que os três desenhos têm muitos meses de prática que os separam, e ao fazer o desenho de FMA eu me sinto, definitivamente, mais experiente no desenho de pessoas e personagens do que eu era nas ocasiões anteriores (viva o Croquis Cafe! Viva!!!).

Óbvio, eu sei que provavelmente não fiz a coisa mais revolucionária do mundo. Também sei que, certamente, o meu uso de grid nessa composição grita pro mundo o quão sou aprendiz nesse quesito, principalmente pra quem está habituado a compor imagens com dinamismo e ação. Mas pra mim, foi uma experiência super legal e que com certeza elevou um pouco o nível das composições que tentei fazer anteriormente, sem muito sucesso.

Segue aqui a galeria no Instagram com a imagem final e detalhes de todos os personagens.

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🇧🇷 – Me tomou um tempão, mas finalmente terminei ontem essa composição em homenagem à Fullmetal Alchemist Brotherhood. Cara, eu assisti ao primeiro FMA lá pelos meus 20 anos. Marcou demais e o Brotherhood conseguiu subir o nível da parada. Fullmetal Alchemist é, sem dúvida, um dos animes mais irados que eu já assisti! . 🇺🇸 – It took me a while but I finally finished this homage composition of Fullmetal Alchemist Brotherhood last night. Man, I first watched this anime when I was about 20 y/o. It was memorable and Brotherhood just completely surpassed it. Fullmetal Alchemist is, undoubtedly, one of the best anime I've ever watched! . . #digitalart #anime #clipstudiopaint #fanart #drawing #desenho #dibujo #ilustracao #illustration #ilustracion #fullmetalalchemist #haganenorenkinjutsushi #fullmetalalchemistbrotherhood #edwardelric #alphonseelric #roymustang #rizahawkeye #winryrockbell #lust #gluttony #envy

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Espero que tenham curtido e até a semana que vem!

Reorganizando a casa

Fala pessoal, como vão vocês? Do lado de cá as coisas estão começando a se reoganizar, depois de um mês extremamente desestruturado e fora dos padrões. Trabalhando como freelancer / home office há aproximadamente 3 anos, eu estou um pouco acostumada com algumas mudanças de rotina. Mas em agosto as mudanças foram bruscas demais e isso me quebrou completamente.

Pra começar, dia 14/08 foi o último dia que consegui fazer estudos de Croquis de forma sistemática. Foi também o último dia que consegui tirar pra desenhar pra mim antes de uma mega reviravolta de médicos, sobrinho e trabalhos.

Tivemos, minha mãe e eu, várias consultas e idas ao médico, algumas que já estavam agendadas pra rotina, outras porque ficamos super doentes com a sobrecarga de trabalhos do mês. Sobrecarga que aconteceu porque meu pai viajou e meu sobrinho passou uma semana letiva inteira com a gente, quando a mãe dele começou a fazer um período de experiência de trabalho. Eu estou habituada a ter meu sobrinho aqui nos finais de semana, domingo. Sempre tiro um tempo pra brincar com ele e distraí-lo. Mas durante a semana, simplesmente não dava. Foi difícil administrar tudo.

Pra completar a tsunami me foi oferecida a oportunidade de trabalhar desenhando itens pra um jogo sobre segurança do trabalho. Um trampo com prazo menor que duas semanas, mas que eu recebi de braços bem abertos porque 1) é o que eu amo fazer; e 2) eu tava precisando muito de um trabalho profissional pra mudar um pouco minha rotina artística. E foi muito bom ainda poder fazer novos contatos profissionais aqui na Grande Vitória. O serviço foi prestado para a Mito Games, uma start up local focada em jogos educativos e advergames, um pessoal muito gente boa que espero ter oportunidade de trabalhar junto novamente. Assim que eu conseguir autorização, trago o trabalho pra mostrar aqui no Caixola!

As coisas foram começar a se acalmar nos últimos dias do mês de agosto, quando comecei a ter um tempinho pra produzir coisas de novo. Mas ao invés de voltar firme com os croquis, me deixei levar por uma fanart de Fullmetal Alchemist: Brotherhood, anime que assisti recentemente com meu irmão. Ela ainda tá em andamento mas quando terminar, faço uma postagem completa sobre o processo que norteou a produção. 🙂

Ainda tem muito refugo de agosto por aqui: as idas ao médico da minha mãe geraram vários pedidos de exames, as nossas doenças geraram muitas faltas minhas ao Pilates, tenho quilos de aulas pra repor e várias atividades negligenciadas por fazer. Eu tô com um cansaço físico e mental absurdo e sem um pingo de coragem pra encarar tudo que eu preciso fazer e voltar a estudar. Mas é isso, aos poucos a gente vai colocando a casa em ordem, um dia após o outro.

Dito isso, estou tentando organizar nova postagem pra próxima quarta-feira pra tentarmos retomar a programação normal. Espero que possamos nos ver lá!

Duas semanas de férias

Nas duas últimas semanas eu tirei umas “férias” das minhas atividades rotineiras. Não fiz croquis e não me planejei pra publicar nada por aqui. Estive aproveitando as férias escolares e a presença em casa do meu irmão mais novo (que é professor), pra jogar bastante na companhia dele, algo que tava me fazendo muita falta. Eu gosto de jogar sozinha, mas não o tempo todo. Cresci dividindo o videogame com meus dois irmãos, então pra mim é mais natural e agradável ter alguém jogando comigo.

Foi uma pausa muito necessária e gostosa! Jogamos muito Vagante, finalmente demos atenção e zeramos o Resident Evil Revelations e chegamos a começar a jogar o Resident Evil Revelations 2, mas esse acabou perdendo espaço pro Vagante mesmo, que é mais divertido!

O engraçado disso tudo na verdade é perceber que quando você tá acostumado a desenhar todo dia, mesmo que esteja fazendo um esforço pra se desligar da coisa, ela volta pra te “assombrar”, no meu caso, em forma de passatempo. Mesmo que 90% do que eu desenhe hoje em dia seja digital, sempre tem papel de rascunho e caneta na minha mesa. E em alguns desses dias, acabei usando bastante eles pra me divertir enquanto fazia outras coisas, tipo bater papo online com minhas amigas e escutar música ou podcast. Deixo aí embaixo os desenhos que rolaram nesses dias.

Às vezes, tento a criar vários personagens pensando em um mesmo universo. Aqui são personagens ambientados no Velho Oeste.

Nos primeiros desenhos que fiz explorei só a caneta Bic Preta de ponta fina, rascunhando bem leve as formas básicas dos personagens e trabalhando os detalhes por cima com o mesmo material, variando intensidade e tipos de traços pra criar diferentes texturas.

Nos demais estudos, apliquei o uso de duas canetas: a Paper Mate Kilométrica de cor laranja pros rascunhos e tons, e a Tilibra Flow pra finalizar. Essa combinação de laranja com tinta preta é bastante utilizada pelo artista Eduardo Vieira e eu acho super legal. Usar dois tons de caneta diferentes é análogo a usar lápis e tinta, com a diferença que sendo tudo tinta você não vai apagar e pensa mais em como aplicar cada marca ao seu desenho e como incorporá-las ao acabamento. É um desafio bem interessante. Eu gosto muito de desenhar com esferográfica, justamente porque ajuda a construir na gente esse desapego: tá ruim? Parte pro próximo! E quando você percebe tem um volume grande de coisas feitas em bem pouco tempo. 🙂

Aqui personagens de fantasia.

E mais personagens de fantasia. 🙂

Enfim, foi bom enquanto durou, mas agora acabaram-se minhas férias. Já voltei com a programação normal essa semana. Retomar atividades depois de uma pausa é sempre difícil. Eu me sinto um pouco enferrujada pros croquis e indisposta pra todo o resto, mas realmente senti que estava precisando dar uma paradinha, porque o ritmo tava meio frenético. A gente deve ficar muito atento a esses sinais pra não pirar de vez, pessoal. Não pensem que precisam estar o tempo inteiro debruçado no papel, de verdade. Quando sentirem necessidade, parem um pouco e respirem outros ares. Isso faz bem até pra renovar a produção mesmo! 🙂

Bom, hoje fico por aqui, até semana que vem, com conteúdo novo!

Contando Histórias com os Desenhos

Quem já acompanha meus desenhos há alguns anos provavelmente já percebeu que eu tenho uma tendência forte em criar e desenhar personagens sempre em poses muito retas e simples. Embora eu tente fazer meus personagens terem personalidade, seja através de expressões ou vestimentas, esse é um aspecto do meu desenho que sinto que ainda precisa muito ser polido, principalmente pra ilustração. Então ultimamente tenho tentado, ao invés de só criar ou desenhar o personagem, contextualizar ele em alguma situação.

O último exercício desse que fiz saiu a duras penas, porque foi durante o mês que tive os problemas de saúde recentes. Mas ainda assim foi um exercício muito legal. Num dos dias que eu estava de cama, peguei um papel qualquer, caneta esferográfica e, enquanto passava o olho em jogos da Copa do Mundo fui rabiscando esses personagens.

Papel ruim e esferográfica são meu par favorito pra soltar a imaginação!

Foi um rascunho bem livre, eu fiz primeiro a estrutura do personagem humano, depois decidi por uma galinha estressada na mão dele. Ao fazer a expressão dele como se estivesse meio “sem graça”, achei que seria legal adicionar galinhas com personalidades diferentes, aí fiz uma que parece meio maluquinha, outra bem orgulhosa e uma empolgadaça. Eu olhava as galinhas rabiscadas e me divertia, mas sentia que faltava mais pro desenho contar uma história. Daí fui pro computador com meus rascunhos iniciais como referência e tentei desenvolver algo novo.

Eu só consegui trabalhar com duas possibilidades nessa ocasião, por causa da recuperação.

O que saiu foi essa ilustração, que eu chamei de “Cinco Galinhas Tontas”. Foi um dos desenhos que eu mais me diverti fazendo recentemente, porque enquanto desenhava, meu olhar passeava por toda a ação e interação do desenho. O cara, agora não tá mais só em pé segurando a galinha com cara de “sem graça”. Ele tá perdido sem saber o que fazer da vida, com uma galinha estressada na mão, outra orgulhosa ao lado dele, uma empolgadaça pulando pra cima da orgulhosa e ainda a maluquinha, que tá pouco se lixando pra tudo que tá acontecendo, entretida com uma minhoca. A meu ver, em comparação ao desenho inicial, esse tem muito mais coisa acontecendo e é bem mais interessante, eheheh.

Produto final com a técnica de lápis digital. Gostei bastante dos personagens e dos valores, mas ainda há muito que melhorar 🙂

Quanto à técnica empregada, fui muito inspirada pelo artista Marcel Gröber, que faz ilustrações lindíssimas finalizadas com lápis digital. Recomendo muito checarem o trabalho dele. Me falta muito ainda pra fazer algo do nível do trabalho dele, mas fiquei bastante satisfeita com o resultado pra primeira experiência!

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Daily drawing 2/104: " I was walking through the fields, lost in thought as so many times before. Life has not been good to me for a long time. The things that happened. Things I did not say or do out of fear, sorrow… pain. Well, something happened that day I don't quite remember. I felt weak and tired. Too tired to keep going. I broke down in tears and just wanted to quit, let it end here and now. Thats when I saw it. Out of the fog stepped this warrior riddled with wounds. It stood their for a moment, leaning on its sword. Seemed to catch it's breath. It looked up to me and despite the helmet, I felt its gaze piercing my very soul. It gave me a long nod… and I understood. I knew in my heart that no matter what, I can keep going. A moment later, the mirage vanished". The wounded knight is a spirit that walks the world. No one really knows why or where it is going. It looks grievously wounded by a battle long past but it keeps walking. The spirit only shows itself to those broken by life, about to give in. It urges the kindred soul to go on. A symbol of endurance in the face of unimaginable suffering. #daily #drawing #illustration #dailydrawing #digital #digitaldrawing #digitalpencil #fantasy #art #artist #creative #creator #knight #warrior #fairytale #tale #legend #storytelling #photoshopart #photoshopcc #grayscale #instaart #artist

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Esses processos de desenvolvimento do desenho são bem legais e amadurecem em mim essa noção de que a gente nem sempre deve ficar satisfeito com o primeiro desenho, ou que nem sempre tudo vai se resolver no primeiro desenho. Com um pouco de dedicação e paciência a gente sempre pode desenvolver um conceito inicial a um patamar maior, por isso é importante insistir um pouco.

Outra coisa que me vem muito forte é que, nem sempre a gente precisa estar extremamente inspirado pra produzir coisas legais! A disciplina e a consistência (as quais já falamos antes, hehehe) fazem também um papel importante pra gente manter as engrenagens funcionando. Desenhar mesmo sem ter aquele insight também rende frutos. E ainda, ressalta a importância de se rascunhar descompromissadamente e manter registro dos seus rascunhos, sejam eles em pastas ou sketchbooks. Você nunca sabe quando um rabisco qualquer pode virar uma ideia interessante!

E aí, você tem usado seus rabiscos de forma inteligente? 🙂 Conta pra gente nos comentários!

Nos vemos na semana que vem, até lá!

Técnicas empregadas

Na publicação anterior eu vinha falando que estou tentando me desviar um pouco das técnicas de construção da figura humana. Bom, quando eu falo isso, quero dizer que estou buscando utilizar menos o boneco de palito, o manequim, o feijão, as caixas, etc. Mas isso não quer dizer que, ao tentar desenhar confiando mais no meu próprio olhar, outras técnicas não estejam sendo também empregadas.

Palito, Manequino, Feijãozinho e Caixinha, todos caras legais, que estou tentando não usar.

Acontece que ao deixar de lado certas “normas” de construção, estou me apoiando mais outros aspectos do desenho de observação, como os ângulos, o alinhamento, o espaço negativo, as formas e as relações de medidas entre elas. Ao longo da prática, senti que essa abordagem foi necessária no desenho cronometrado, quando se tem pouquíssimos minutos, as vezes segundos, para resolver determinada pose. E dessa maneira acredito ainda estar desenvolvendo um olhar pro desenho, que é menos analítico e mais gestual. (Novamente, não me entendam mal. Continuo usando e achando muito úteis todas as técnicas de construção da figura. Só estou guardando elas pra outros momentos, diferentes do exercício cronometrado. 🙂 )

O livro “Desenho de observação” aborda questões sobre esse processo de desenho gestual que vão ao encontro do meu pensamento. Nele, o autor Brian Curtis escreve que o gesto intuitivo do desenho se perde após o momento inicial de esboço, pois é quando começamos a deixar que a natureza analítica do nosso cérebro volte a agir.

“O pensamento racional é tanto inevitável quanto necessário, mas você deve limitar conscientemente sua interferência na proximidade das suas percepções iniciais. Você deve se esforçar pra começar com um novo olhar e resistir à tendência natural de se render a abstrações formulaicas para representar o que vê. Essas abstrações racionalizadas limitam sua flexibilidade mental e prejudicam sua tolerância para a complexidade de suas percepções. […] É preciso relaxar e resistir à tendência de definir os formatos emergentes e de se ater aos detalhes nas primeiras etapas. Quando se começa pelo formato reconhecível de um objeto, geralmente ele se baseia mais no que você pensa do que no que você vê.” (p. 42)

Quando li esse trecho do livro que me foi cedido pela Nane, achei que completa bastante a crítica que fiz ao meu próprio aprendizado em retrospectiva no post anterior, quando disse que o conhecimento técnico me travou no desenho.

Mas então, se não tem manequim nem boneco de palito, como eu tenho construído meus estudos da figura? Pra começar, busco quebrar um pouco essa necessidade de começar o desenho sempre pela cabeça. Dependendo da pose, quando ela está completamente visível, até acontece, mas muitas vezes começo desenhando as formas, curvas ou ângulos que chamam a atenção do meu olhar primeiro. A partir daí, vou traçando relações prestando atenção aos ângulos dos membros e às formas que surgem das relações entre eles. Medindo a figura pelo olho, sem o auxílio do lápis, minha percepção fica focada em questões como até onde vai o braço e o antebraço em relação ao tronco, até onde vai a perna, qual é a relação entre o alinhamento da cabeça, do tronco, da pélvis e dos pés? Nesse momento, o conhecimento formal do que eles chamam de “Body Landmarks” ajuda bastante. Me desculpem, pois não sei a tradução desse termo pro português, mas podemos chamar de “Marcos Corporais”. Alguns dos mais importantes são o fim do pescoço, as clavículas, o esterno, a caixa torácica, e os ossos do quadril. O canal ProkoTV tem um ótimo vídeo sobre isso, em inglês, no entanto. Mas clica lá na legenda automática que dá pra ter uma ideia geral!

Imagens do arquivo do Croquis Cafe. As linhas vermelhas podemos chamar de “linha de ação”, mas pra mim é só a linha que chama mais a atenção no gesto. Os preenchimentos em azul são as formas que chamam a atenção e as linhas pontilhadas e traçadas na horizontal e vertical mostram alinhamentos interessantes.

Quando a figura está numa pose mais ereta, se assemelhando mais à representação da figura humana que nosso cérebro está habituado, observar os membros fica bem mais simples. Já quando a figura está em posições bastante incomuns, a gente simplesmente dá um tilt! Por onde começar? Bom, quando eu não tenho muito tempo (poses entre 15 segundos a 2 minutos), apelo pro desenho gestual mesmo, tentando traçar as mesmas relações entre as partes do corpo que mencionei acima. Mas, em poses de até 5 minutos tento fazer um estudo da forma geral do corpo.

Primeiro traço um contorno da figura, prestando atenção na forma abstrata que ela gera. Depois, dentro dessa forma, defino a figura traçando as relações entre os membros. Essa foi uma dica que eu aprendi lá no Croquis Cafe mesmo! Dentre os vídeos com poses de referência tem uma série só de dicas de desenho onde eles explicam esses macetes. Eu indico darem uma olhada no “Drawing Complex Poses” (Desenhando Poses Complexas).

E quando temos um corpo numa pose ainda mais incomum, como um escorço exagerado? Aí é hora de frear o cérebro de vez! Num dos vídeos do canal Love Life Drawing, chamado “Foreshortening Made Easy” (Simplificando o Escorço), os artistas Kenzo e Maiko demonstram bem isso. Eles ainda explicam que por sabermos que uma perna é bem mais comprida que um pé, por exemplo, temos severas dificuldades em desenhar somente o que vemos e tentamos corrigir a figura tendo como base o que sabemos sobre as proporções do corpo humano. No entanto, ao desenharmos uma paisagem, conseguimos fazer escorço porque são formas abstratas. Eles resolvem o problema propondo o exercício de pensarmos a figura em escorço como uma paisagem, assim nos focamos mais nas formas e menos no objeto em si. Essa é outra das técnicas que tenho usado pros meus estudos do desenho da figura.

E é isso, pessoal! Acho que falei tudo que tinha pra falar sobre esse meu novo hábito do estudo da figura humana e a meta dos 20 minutos diários. Sinto que pra mim tem feito uma grande diferença principalmente pra evitar aqueles dias de apagão, que a gente acaba passando sem desenhar nada, sabe? Mas ainda tenho um longo caminho a percorrer! Por enquanto tá somando quase dois meses de estudos, e eu estou super empolgada pra ver meus resultados daqui a uns seis meses ou um ano. Nesse meio tempo, vou compartilhando com vocês! Ah, no meu Twitter tenho postado os estudos diariamente, quem quiser acompanhar é @joyce_carmo. 🙂

A todos que leram essa série de posts até aqui, meu muito obrigada!
Se tiver qualquer coisa que vocês queiram perguntar ainda sobre esse assunto, novamente os comentários estão em aberto!

Um abraço e até mais ver!