Desafios de desenho

Sketch Dailies, Character Design Challenge, Daily Spitpaint, Mermay, Sketchtember, Inktober. Esses são alguns dos nomes de desafios de desenhos que estão frescos na minha memória. Com a aproximação de outubro, logo a internet já começa a se mobilizar rumo ao Inktober, e muitos artistas estão até usando o Sketchtember como um aquecimento.

Existem diversos lugares na internet com desafios dessa natureza. São atividades criativas mediadas que levam o artista a elaborar algo partindo de um tema (como o Mermay e o Character Design Challenge) ou uma limitação (de material, como o Inktober, de tempo, como o Daily Spitpaint). Independente do desafio, não dá pra negar que muitas vezes eles acabam forçando bastante o limite da criatividade do artista, o que é muito legal quando estamos nos sentindo sem inspiração, sem ideias do que desenhar ou praticar, mas estamos cheios de disposição pra arte.

Só que eu gostaria de expôr aqui algo para reflexão: quando e por que participar desses eventos? Bom, na minha opinião (e é uma visão bastante particular), você deve participar quando bem entender! Nada conclusivo, né? Mas vou explicar meus pontos de vista. A meu ver, existe um lado muito positivo em aceitar desafios: entrar em contato com outros artistas fazendo a mesma coisa, ganhar visibilidade durante o evento com o uso das hashtags específicas, exercitar sua capacidade de criação dentro de adversidades, manter um foco de estudo.

Mas também acho que é importante atentarmos pra outro ponto importante que diz respeito a quando não participar. Aceitar esse tipo de desafio quando você está se sentindo artisticamente fragilizado (e nós sabemos que essas coisas acontecem em ciclos) talvez acabe levando você a dar mais força aos pensamentos negativos em relação às suas capacidades criativas. Fazer porque é a única oportunidade, porque todo mundo tá fazendo, só que eu aposto que sua mãe dizia isso e eu vou repetir: “você não é todo mundo”. Vivendo em um mundo onde as redes sociais estão tão presentes, às vezes é difícil nos distanciarmos do fuzuê para focarmos em nós mesmos, mas tem hora que é preciso virar pro outro lado e abandonar um pouco o Instagram, o Tumblr, o Facebook e pensar mais em nosso crescimento de maneira individualizada. Entrar na caverna mesmo, sabe?

De qualquer maneira, por mais que seja muito bom exercitar-se com os desafios propostos pela internet, acho que antes vale muito a pena o artista fazer um balanço: “eu estou disposto a participar do desafio?”. Porque, começar a participar pra depois se frustrar por não ter conseguido cumprir, ou ficar pensando que não tem as qualidades necessárias pra fazê-lo até o fim, e depois ficar triste por isso, não compensa. Ou então, tente nutrir uma expectativa menos pretensiosa com relação à sua participação: “vou fazer um desenho do Inktober por semana”. Se você se empolgar e fizer mais do que isso, já está superando sua expectativa de uma maneira positiva.

Quanto menor for a diferença entre a expectativa e a realidade, maior é a chance de você obter resultados positivos da sua participação. E no fim, o que manda mesmo é se divertir! Não importa se vai cumprir uma maratona de 30 dias, se vai fazer um por semana, ou uma participação única, o que importa de verdade é sempre manter uma atitude positiva com relação à sua arte, continuar praticando e  buscando se divertir no processo. 🙂

É isso, reflexão feita, nos vemos na próxima. Até lá!

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Steven e o Biscoito Gatinho

Olá, pessoal!

Nas últimas semanas o blog esteve meio parado por conta de vários problemas com meu computador. Agora o PC voltou, mas tá meio capenga. Não tá sendo muito legal desenhar digitalmente aos moldes que tô acostumada. Mesmo assim, tenho tocado alguns trabalhos freelance e estudos do lado de cá. Não consigo me afastar da mídia digital por muito tempo, hehe.

Outro dia, enquanto assistia um episódio de Steven Universo lá do começo da série, comecei a rabiscar uma cena na qual o Steven tenta fazer sua pedra brilhar comendo Biscoitos Gatinho. Achei super engraçado e decidi fazer minha própria versão, como estudo.

Scan do meu sketchbook

O negócio é que logo percebi que teria problemas (principalmente com o formato) pra dar continuidade a esse estudo no sketchbook. Então levei pro digital e enquanto eu tava lá no Photoshop retrabalhando o rascunho, percebi que tinha algumas questões bacanas que podiam ser observadas sobre o pensamento estrutural do desenho.

A primeira coisa que observei, foi o uso de formas na estrutura. Muitas pessoas ignoram essa etapa de aprender a desenhar formas tridimensionais no plano da folha. Isso é um erro, pois entender como essas formas se comportam no espaço, em relação à perspectiva, escorço, etc, auxilia muito na hora de desenvolver os desenhos. Eu não domino esse assunto, claro, afinal perspectiva é um dos meus calcanhares de Aquiles, principalmente no que diz respeito ao desenho de cenários. No entanto, não ignoro a importância desses conceitos e estou sempre revisitando-os e tentando incorporá-los nos meus desenhos.

Pensando com formas tridimensionais

Na imagem acima procurei mostrar basicamente como meu pensamento se desenrolou: a cabeça do personagem é uma esfera e saber como dividir esse objeto tridimensional ajuda ao direcionar sua rotação. Os membros são como cilindros e, ao compreender como eles funcionam no espaço fica um pouquinho mais fácil entender o escorço de braços e pernas, por exemplo. O tórax, pélvis, mãos e dedos, refrigerador e até o Biscoito Gatinho que ele está segurando podem ser simplificados com caixas e paralelepípedos. No caso do Biscoito Gatinho, que tem uma forma orgânica, o pensamento é de como se você estivesse desenhando a forma em um bloco de isopor e recortando o excesso em volta. 🙂

A partir do raciocínio acima, eu procurei inserir alguma coisa de perspectiva no meu desenho (sim, isso é muito difícil pra mim, PQP!). Vocês podem observar ali, aproximadamente em 1/3 da folha a linha do horizonte, e o meu ponto de fuga está mais distante da cena (fora da folha) pra aumentar o campo de visão e não provocar muitas distorções nas formas do meu desenho. Tendo isso como base, redefini a pose do Steven e ajustei as proporções como um todo.

Enquanto inseria os detalhes no Steven, percebi que o Biscoito Gatinho ia fazer uma linha tangente com a manga da camiseta. Tangentes costumam ser problemáticas no desenho de linhas, porque podem atrapalhar a percepção do expectador sobre o que está na frente e o que está no fundo. Por conta disso retrabalhei aquela mão, e ficou assim:

A partir daí foi só finalizar as linhas e partir pras cores. Aliás, pras cores eu defini um tom de amarelo predominante que seria a base do meu céu de fim de tarde, e fui tentando manter todas as cores base o mais amareladas possível. Como a minha luz era quente com predominância de amarelos e laranjas (o Sol/pôr do Sol) decidi trabalhar as sombras com um tom mais frio de roxo. E ficou assim:

E por fim, a imagem do desenho que me inspirou a fazer essa ilustração:

Eu tentei inserir bastante de mim nesse desenho, usando como base mesmo mais a situação/cenário do que fazer uma “cópia” do que eu via. Foi um estudo bem legal, na verdade, e espero que gostem de ter visto um pouco dos pensamentos que percorri pra chegar ao resultado final, desde o rascunho base.

E também acho legal ressaltar a importância de registrar ideias, mesmo que toscamente. Em uma outra oportunidade eu já falei sobre isso aqui (também era um desenho de Steven Universo), mas acho importante bater na tecla, hahaha! E por fim, é uma boa ideia de estudo pra você que tá aí sentado dizendo que não sabe o que desenhar. Pega uma imagem legal do seu desenho/filme favorito e faz um estudo em cima. Garanto que dá pra aprender muita coisa. Que tal?

É isso! Já me alonguei bastante nesse post.

Até a próxima!

Caixola de cara e casa nova!

Pois é, pessoal. Depois de umas semanas ruminando o que aconteceu com o Caixola graças ao Photobucket, eu refleti bastante e, conversando com a Sílvia, acabei decidindo que o Caixola precisava mudar. Já que eu tinha que descascar o abacaxi das imagens, aproveitei a deixa eu migrei do Blogspot para o WordPress.

Há muito tempo já eu percebo que a forma como eu conduzia o Caixola estava defasada e carecia de uma atualização.

O que é que muda?

Basicamente nada, a não ser a estética. De uns anos pra cá eu reparei que os novos templates oferecidos pelo Blogspot estavam mais difíceis de personalizar, o que me fez optar por usar um template antigo que dá pouco (no meu caso leia-se nenhum) suporte à dispositivos móveis.

Com o WordPress o Caixola ganha ao se tornar um blog com layout responsivo.

Mas o que significa isso?

Significa que ele agora tem layout adaptável para três suportes diferentes:

  • computadores e telas grandes;
  • tablets;
  • celulares.

E isso, numa época em que as pessoas navegam pela internet mais pelo celular do que pelo computador, é muito importante.

Em termos de conteúdo, o único problema persistente é o das imagens, reféns hospedadas lá no Photobucket. A má notícia é que vai dar um baita trabalho e vai demorar pra caramba, mas a boa notícia é eu achei um novo hospedeiro pras imagens. No que diz respeito aos posts, tags, arquivo, toda a organização do conteúdo continua exatamente a mesma.

Por fim, eu sei que é muito chato pra todos os usuários que assinavam o meu blog através da conta Google precisarem também fazer essa migração. Mas se puderem/quiserem me acompanhar por aqui também, será um prazer (e é muito importante pra mim).

O Caixola de lá (no Blogspot) continuará no ar por quanto tempo o Google me permitir, com um aviso de mudança, mas, infelizmente, não voltarei aos posts de lá pra editar o conteúdo de imagens. Agora tudo será por aqui mesmo.

Conto com a compreensão e apoio de vocês.

Um abraço e até a próxima!

Pegando prática

Oi pessoal!

No vídeo aí em cima tem um minutinho do processo de acabamento desse rascunho tosquinho com tinta nanquim e eu queria aproveitar a oportunidade pra dividir um pensamento com vocês.

As vezes me perguntam como eu pratico o acabamento de linhas e como faço pras minhas linhas ficarem legais. Bom, primeiro eu agradeço a quem acha isso e depois digo que não tem segredo a não ser praticar, praticar e praticar. E no meu caso, desde que comecei a estudar acabamento com nanquim, me propus a finalizar com tinta todo tipo de desenho, por vezes até os que eu não gosto muito no fim das contas (tipo esse aí).

Quando a gente fica muito tempo esperando aparecer o desenho perfeito pra dar acabamento, perdemos várias boas oportunidades pra desenvolvermos nossas habilidades com o pincel ou com as canetas técnicas. Aliás, isso vale pra todo tipo de material e falo por experiência própria.

Se você tem dó de gastar seu material em um desenho que não vale a pena o acabamento, pense em investir em material de mais baixo custo para a prática e guarda os melhores pro trabalho profissional, que tal?

Pelo menos é o que eu acho.

É isso! Em breve volto contando um pouco mais da mudança do Caixola.

Então, até lá!

Sobre problemas com imagens

Olá pessoal!

Tô passando rapidamente pra dizer que, infelizmente, devido à mudanças de política no site que eu uso desde sempre pra compartilhamento de imagens aqui no Blog (o Photobucket), todas (ou a maioria) das fotos no Caixola estão indisponíveis.

Juntando os seis anos no ar, o conteúdo do Caixola é bem extenso e, honestamente, não sei quando terei condições de migrar as imagens, nem que outro servidor vou utilizar pro compartilhamento a partir de agora.

Por ora, peço que me desculpem pelo conteúdo não estar disponível. Como estou trabalhando fora não tenho muito tempo pra olhar esse problema técnico no momento.

Obrigada a todos que me notificaram e espero ter uma solução em breve. ^^’

A boa notícia é que eu ainda tenho o Instagram, Tumblr e Facebook, caso sintam falta dos meus desenhos, podem dar uma passadinha lá! Hahaha!

Abraço e até a próxima!

Capa de HQ

Sabe aquela oportunidade que bate na sua porta do nada e você tem uma baita surpresa super legal? Pois é, aconteceu comigo mês passado, quando recebi no deviantART de um dos meus contatos, o murici0, a oferta de um trabalho como freelance pra ilustrar a capa de uma história em quadrinhos de sua autoria.

Fechamos os detalhes do briefing e fui logo fazer minha estreia nesse nicho. Sim, porque nunca havia ilustrado nada pra HQ antes, com exceção de uma ou outra tirinha e algumas tentativas pessoais frustradas. Foi uma aventura bem legal e super agradável na companhia do meu cliente e eu queria mostrar um pouco do processo pra vocês.

 Clique pra ler Tie Break #1

A HQ – Tie Break
Bom, falando um pouco do título, Tie Break é um quadrinho no qual os personagens têm seu desenvolvimento pessoal em função de um tema esportivo central, no caso vôlei. Nossa protagonista é Vera Lúcia, uma adolescente cheia de problemas que conta com o apoio das suas amigas, Bruna e Marina pra conseguir tocar a vida escolar, que ela acha um saco.

A capa
Depois de tudo conversado e de conhecer um pouco mais do universo pro qual eu ia criar a ilustração (entendam, ler o capítulo/história que se vai ilustrar, tentar captar traços de personalidade, conflitos, um tema central que está se desenrolando, etc), eu parti pra uma fase exploratória de geração de hipóteses. Nessa fase, queremos ser o mais econômicos e rápidos quanto for possível e por isso trabalhamos com tamanhos pequenos e ausência de detalhes, só pra tentar ver a composição. Eu gerei uma quantidade de opções e escolhi algumas que pareciam mais promissoras pra fazer uma segunda passada e desenvolver melhor. Nesse segundo momento a gente já começa a perceber o que parece que vai funcionar e o que não tá muito legal.

Alguns dos thumbnails que eu gerei. a maioria nem ficou pra posteridade.
Tinha algumas coisas nos layouts 2 e 3 que eu achava legais, mas a composição não funcionou.

Desenrolei dois rascunhos e encaminhei pro cliente. Depois que ele optou por uma composição eu me aprofundei mais nela, colocando detalhes e características dos personagens, tudo seguindo a folha de modelos que ele me forneceu previamente, com poses básicas mostrando como eram as meninas nas vistas frontal, perfil e três quartos. Nesse momento eu me permiti trabalhar bem a vontade com o meu estilo, buscando levar as características que eu via no desenho do meu cliente pro meu próprio traço. Aprovado esse rascunho a gente passa pras etapas finais de lineart e cores (quando for o caso, pois cada trabalho tem a sua especificidade).

Os layouts que encaminhei pra aprovação.
Rascunho do layout escolhido.
Lineart
Cores.

Os detalhes finais como títulos, créditos, numeração e elementos gráficos foram inserção do autor, mas ele foi super bacana em manter contato comigo durante todo esse processo. Fomos conferindo o que tava funcionando legal e o que dava pra melhorar até chegar no layout final, que está disponível agora lá na Social Comics.

Pra quem não sabe, o Social Comics é uma plataforma de quadrinhos online, tipo o Netflix. Funciona com um sistema de assinatura e você tem acesso a todo o conteúdo disponível. A plataforma abriga tanto grandes editoras como quadrinistas independentes, é bem interessante!

Detalhe 1
Detalhe 2

Eu gostei muito dessa experiência e espero muito poder ter outras oportunidades assim, enquanto isso tô tentando amadurecer a ideia de tentar publicar algo também, um dia. Aprender quadrinhos é um desejo um pouco antigo, talvez agora seja uma boa oportunidade. 🙂

E aí, tá esperando o que pra ler Tie Break? Clica aí e confere lá a história do Maurício e depois conta pra gente o que achou. 🙂 Ah… a plataforma oferece degustação de 14 dias gátis!

Espero não ter aborrecido você com esse post gigante, mas obrigada se você leu até aqui. Até nosso próximo encontro!

Robin – estudos

Ultimamente tenho assistido bastante filmes animados de super heróis com meu irmão (mais especificamente os filmes animados da DC, porque eles são fodas). Semana passada assistimos Batman Contra o Capuz Vermelho. Passou a semana e eu não consegui esquecer o Robin do Jason Todd… tão fofinho!!! Então tiveram uns estudos dele.

O primeiro fiz com tinta e lápis de cor no papel. O pássaro infelizmente acabou não saindo na proporção que eu queria, mas o Robin tá bonitinho, hahahaha! O Segundo eu rabisquei a pose no papel, mas refiz tudo no digital, porque esse é o tipo de assunto que eu não domino nem um pouco (poses de ação e tal). Pro meu gosto ainda tá meio estranho, mas já é alguma coisa, valeu a experiência. 🙂

Nos vemos na próxima postagem!